A força da mulher

Fui tomar a vacina da Febre Amarela em um posto de saúde. Fila pequena, até. Lá na frente, já para entrar na sala da injeção (uma agulha minúscula que quase não dá pra ver), duas crianças: um menino de uns 5 e sua irmã de uns 3 anos, com o pai e a mãe. Tranquilos. Quando entram e chega a vez deles, ouço gritaria dentro da sala de sacrifícios, como se uma das crianças estivesse sendo esfaqueada ou sei lá o quê. Dois minutos, saem os pais, a menina, sorridente, e o menino aos prantos, soluçando. Eles passam por mim, o pequeno é o último da fila. Pergunto pro garoto:

— E aí, amigo, doeu?

Ele cruzou comigo, limpando as lágrimas com as costas das mãos, olhando pra frente, querendo desaparecer daquele lugar, puto da vida:

— MUITO!

A menina, sim, me olhou, mas não me disse nada. Apenas balançou a cabecinha de um lado pro outro, como que dizendo, esses homens…

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