Ai, Jesus!

Primeiro foi o cortador de frios do supermercado aqui perto:
— O senhor é o quê do homem?
— Que homem?
— O do Flamengo, ué!
— Tá louco? Não sou tão feio igual ele!
Depois, o meu neto Tomaz, de 4 anos, quando viu o homem na televisão, pro pai dele:
— Pai, olha o vovô!
Mais um ou outro comentário nesse sentido aqui e ali, que eu desconversava rapidamente, me fazendo de desinformado.
Culminou no Clube Pinheiros essa história de eu ser a “cara” do Jesus (na verdade é o cabelo que é parecido – já tinha percebido e não gostei). Um garoto de uns 9 anos, junto com outros da mesma idade, aproximou-se de mim e do meu filho caçula, o Leo, de 17. Estávamos sentados em um banco comprido, tomando suco.
— Oi, tio, posso tirar uma foto com VOCÊ?
— Foto? Pra quê?
(Já imaginava. Maldito cabelo.)
— É que você é parecido com o…
— …aquele Jesus!
— Sim!
— Mas eu não sou tão feio que nem ele.
O menino chegou bem perto, me olhou fixamente.
— É verdade! Mas posso?
Os outros moleques estavam excitados com a conversa do amigo com “Jesus”.
— Tá bom! – eu disse. — Dá o celular pra ele (meu filho) tirar a foto e senta todo mundo aqui.
Alguns sentaram-se ao meu lado, outros ficaram em pé, atrás. Todos mostrando o indicador e o mindinho para “Jesus”, tipo, esse é o cara. O líder deles ordenou para o fotógrafo:
— Tira mais uma pra garantir!
— Veja lá onde vocês vão colocar essa foto!
— De boas, tio! Na escola… pro meu avô…
Feito a foto, todos correram para ver como tinha saído.
— Ficou da hora! – disse um deles.
— Saí com os olhos fechados, olha isso – falou um outro.
E o líder da turma:
— Obrigado, Mister (imitando sotaque carioca)!
Saíram correndo, felizes, pelo clube.
Saí com pressa, infeliz, direto para o barbeiro, cortar cabelo.
Jesus…

[Moral da história: que técnico de futebol brasileiro tem (ou teve) esse prestígio todo de Jesus, o portuga?]

Comments are closed.