Amor profundo

Amor profundo
Seu Joaquim, o zelador aqui do prédio, baixinho, baiano namorador, é sempre visto pelo edifício falando manso no celular. É conversador. Outro dia me pegou na garagem para trocar umas ideias mais ele. Lá pelas tantas, faço a pergunta que sempre solto quando conversamos:
— E aí, Seu Joaquim, namorando?
— Sim, Seu Leo! Quer ver o retrato dela?
Pegou o celular, mexeu, mexeu e me mostrou a moça: morena, bonitona, cabelão cacheado, sorriso espontâneo, pose sexy.
— Mas quanto anos tem a menina, Seu Joaquim?
— Dezoitcho.
— O quê? E você tá com quantos?
— Cinquenta e quatro, graças a Deus, Seu Leo!
— Dá conta desse recado todo?
— Oxi!
Dei-lhe meus parabéns e desejei boa sorte.
Uns dias depois, estacionando meu carro na garagem, ouço a voz dele. Mansa. Estava no celular, falando com uma verdade absurda, pausadamente:
— Te amo mais do que o meu coração acredita.

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