Barra Funda

BARRA FUNDA 1

Ambulante de sucos (amarelo, laranja, verde, roxo) e doces (maria mole, cocada, paçoca), expostos sobre um isopor, chaveca uma mulher-cliente vestida com calça verde-oliva grudada nas pernas grossas e curtas e uma blusa tomara-que-caia pink com os seios imensos à mostra. Passa uma viatura da polícia, bem devagar na frente deles, fazendo a ronda.

O ambulante:

— Bom dia, meu patrão!

O policial do banco do carona faz um sinal de positivo para o ambulante, sem olhar pra ele.

— Meu bródi, sangue bão – gaba-se o ambulante para a jovem.

Ela parece não ouvir, está entretida em engolir a maria mole rosada.

— Então, o suco é cinquenta centavos o copo menor; o doce é cortesia pra princesa.

 

BARRA FUNDA 2

Homem dos seus 30 anos, camiseta surrada, calça jeans suja, tênis velhos, bem-humorado, vai passando pelos comerciantes – vendedor de churrasco grego, lojinha de chaveiro, carimbos, capinhas de celular, boteco de cerveja – da rua atrás da estação do Metrô, brincando com cada um deles. Nisso, vê um mendigo dormindo no chão, coberto até a cabeça. Dá um totó na bunda dele.

— Meio-dia! Perdeu a hora? Vai se atrasar pro serviço, teu patrão te coloca no olho da rua!

Comments are closed.