Cheiro de atleta

O SporTv apresenta um programa diário antes de começar as transmissões do dia (noite aqui) dos jogos do Japão: “Ohayo Tóquio” (Bom dia, Tóquio). É comandado pelo jornalista Marcelo Barreto e pelo treinador Bernardinho, com participações de um time de comentaristas para cada modalidade, geralmente ex-atletas.
No dia da prova de revezamento dos 4 x 100 metros do atletismo, um dos comentaristas era o ex-corredor Claudinei Quirino, medalha de prata em Sidney 2000.
Simpático e espontâneo, nosso ex-atleta foi relembrando a prova em que perderam o ouro para os Estados Unidos, enquanto passavam as imagens da corrida.
— Eu saí correndo dentro do limite da passagem do bastão – tem umas marquinhas no chão – com a mão assim pra trás e nada do meu companheiro, o André Domingos, colocar o negócio ali. Já tava chegando no limite permitido, eu nervoso, suando frio, pronto, estamos eliminados. De repente, sinto o cheiro do André e ele me coloca o bastão na mão, no limite permitido. Ufa! Corri feito um louco, apertando a coisa na minha mão pra não deixar cair. Depois, entreguei o bastão todo amassado pra moça lá da prova.
Nesse momento fez-se um silêncio no estúdio.
— Não fosse o cheiro do André, eu teria desistido, nunca passei um nervoso tão grande” – voltou a falar nosso ex-velocista, percebendo o “branco” no programa.
— Cheiro? – alguém perguntou timidamente em off.
No que, Claudinei, na maior simplicidade:
— É isso daí, sim, cheiro do perfume dele. Ele usava um perfume muito cheiroso, que carregava pra baixo e pra cima e não emprestava pra ninguém. Acho que era importado não sei de onde.
Os apresentadores mudaram de assunto.

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