Coisas da vida

Seu Joaquim é o zelador do prédio em que eu moro. Baiano, bem baixo. Gente boa. Resolve qualquer problema em casa, no edifício e nas redondezas.

No meio da tarde, Seu Joaquim tocou a campainha. Segurava uma gravata.

— Ô, Seu Leo, sabe dar nó?

— Seu Joaquim, você sabe construir uma casa e não sabe dar nó em gravata?

— Pois é…

— Eu vou dar o nó, você vai olhar e depois você mesmo vai dar.

Fiz o nó, desmanchei e pedi pra ele repetir os movimentos. Com alguma dificuldade e com a minha ajuda, ele conseguiu.

— Alguma festa, Seu Joaquim?

— Não, senhor, seu Leo. Meu cunhado acabou de falecer é que é pra modo de colocar nele. Já vestiram o terno. Só falta a gravata.

— O quê?

— Deus lhe pague, Seu Leo!

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