Mens sana in corpore sano?

Faço fitness três vezes por semana para tentar segurar a força da lei da gravidade nessa altura do campeonato.
Na academia que eu frequento tem vários jovens instrutores, habilitados em Educação Física, que ficam circulando pelo salão ajudando os atletas. Dois deles, uma baixinha simpática e falante, toda musculosa, pernas curtas e grossas, olhos azuis, cabelão, e um rapaz alto, sarado, com cabelos dread, conversam:
— Autoestima é tudo junto ou com risquinho? – Indaga a moça.
— Acho que é… sei lá o quê – responde o fortão. — Cada pergunta que você faz.
— Tava fazendo teste pra trabalhar numa outra academia que paga melhor e perguntaram isso.
— É mesmo? Teste de escrever, que nem no vestibular?
— Sim.
— Nossa! Cada uma que inventam.
— E heroico é com “agá” ou com “e”?
Estou próximo a eles, entro na conversa:
— Autoestima é tudo junto…
— …ih, essa eu errei, sabia! – Exclama a instrutora, virando-se para mim. — Mas tava desconfiada que era sem mesmo. E heroico, você sabe?
— Isso eu me nego a responder.
— Essa eu acertei, nem precisa falar – diz ela, feliz.
— E heroico é sem acento porque o atual acordo ortográfico eliminou o acento agudo nos ditongos abertos oi e ei nas palavras paroxítonas – dei uma de gostoso.
— Paro o quê?
— Nada não. Me ajudem aqui com esse aparelho para bíceps e tríceps, por favor. Ver menos

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