Noite de autógrafos

Foi no canto da Vila Madalena, em São Paulo, naquele simpático e agradável bar que rolou a festa. Os autores de Damas de Ouro & Valetes Espada (MGuarnieri Editorial, 176 páginas), livro com crônicas de colaboradores do Primeiro Programa, marcaram presença na noite de autógrafos e deram as cartas.

Para quem não teve oportunidade de conhecer a obra, são quatro damas escritoras, com textos desenhados por quatro ilustradores valetes; e quatro escritores espada, por quatro damas de ouro. Dezesseis autores ao todo.

Direto das Minas Gerais, Belzonte, chegou Antônio Barreto. Ainda não conhecia nenhuma carta do baralho. Sorriu, conversou, abraçou, transpirou. Simpático, letra grande e bonita, assinou. Sem parar. Foi o primeiro a chegar e o último a sair. ‘Barretos’ já ganhou Jabuti, o Oscar da literatura brasileira, e mais um montão de prêmios pelo Brasil afora. Ainda outro dia foi ao Norte buscar mais um troféu para a coleção. Voltou para sua terra citando Drummond: “Nenhuma literatura vale mais do que uma boa amizade”. Grande companheiro!

Igualmente de Minas, a proparoxítona Vívina, Vivina de Assis Viana, igualmente consagrada, ‘Jabutizada’ e educada. E bonita. Toda de branco. Trouxe a família, que comprou oito livros de uma tacada só. Fato que muito a preocupou: “mania de livro que tem essa família, é um pra cada um; agora eu tenho que vigiar quem assina em qual livro”, dizia, o todo momento, na grande mesa redonda onde estavam os(as) escritores(as) e as(os) ilustradoras(es) autografando e trocando livros sem parar. Sempre esbanjando simpatia, Vívina assinou, pacientemente, um colosso de exemplares, com sua letra miúda, caprichada, segura e exemplar, de professora do interior de Minas. Grande amiga!

A simpática e extrovertida Maria Balé chegou antes de todos para o lançamento do primeiro livro que participa como ficcionista. Fez barulho. Convidou os amigos e eles compareceram em massa. Só a turma dela foi responsável pela metade das vendas da noite, que não foi pouca. Os autógrafos de Balé, com sua letra de quem sabe o que quer, preenchiam toda a página, de tanto que escrevia para cada um. E ainda teve tempo para anotar num caderninho todos seus trocentos autógrafos e o nome de cada um. Balé batalhou pelo livro, correu atrás de patrocinadores e sempre se mostrou presente e disposta. Grande parceira!

O valete espada Jorge Nagao foi de carimbinho e almofadinha: ‘Arigathanks! Com humor e carinho’ (ele pediu para o fazedor de carimbos, ‘carimbo’, ao invés de ‘carinho’, mas tudo bem, ficou bom do mesmo jeito). Com seu permanente humor, carimbou e assinou a noite inteira, ao lado de sua bela ilustradora oriental (a escolha do escritor e da ilustradora – e vice-versa – foi por meio de sorteios e os dois ‘japas’ caíram juntos). Trouxe mulher, filho e irmão, além de convidados. Nag@ também foi um dos últimos a abandonar o local. Grande caráter!

Denise Ribeiro, a ‘Denise Bandeira’ da crônica brasileira (deu verso), arrasou. Mandou ver nos autógrafos, com sua permanente simpatia e sua letra bonita e ‘foderosa’. Trouxe a mãe, a irmã, muitos convidados, jornalistas da área ambiental, e, comentava-se na grande mesa redonda dos autores, o namorado que ninguém viu. Circulava e autografava em todas as mesas. Outro destaque da noite, a ‘Bandeira’. Grande figura!

O poeta Sergio Antunes estava feliz, leve e solto como há muito não se via. Pudera, é o segundo livro dele que assina, em menos de quinze dias (o outro é Versátil, com todos seus diferenciados poemas e suas irreverentes crônicas; imperdível). Nos autógrafos, sempre mandando mensagens criativas e charmosas para os fãs e as fãs, com sua letra de advogado decidido. Grande amigo!

A Mestre em Comunicação e Semiótica Marilena Montanari chegou tarde. Deixou de assinar para um montão de gente, mas chegou soberana. Trouxe a bela família a tiracolo e até flores para o editor. Atenciosa. O filho dela, a cara do pai, ia cantar (estava no convite), mas o barulho era tanto, que preferiu evitar a rouquidão. Marilena Esberard de Lauro Montanari teve participação importante na produção do livro: é a responsável pela revisão dos textos. Grande pessoa!

Dos ilustradores(as) vieram Erica Mizutani, a oriental que desenhou os textos malucos de Jorge Nagao. Dava autógrafos e ainda fazia desenhinhos imitando fogos de artifícios de final de ano. Irradiou simpatia e encantou a todos.

Natália Forcat, argentina com sotaque e tudo, a que ilustrou as crônicas do editor e organizador do livro, chegou um pouco atrasada, mas logo entrou no ritmo alucinado da festa. Saiu com cara de quero mais. E vai ter mais, Nat!

Outro mineiro gente boa, Marcílio Godoi, o que ficou (no livro) com Maria Balé, também trouxe a família – mulher e dois filhos bem jovens. Ele é o autor da capa que deu o norte para o visual do resto do livro. E também da brilhante ideia de ilustradores(as) diferentes para cada autor(a), misturando as cartas do baralho literário. Pra quem não sabe, Marcílio fez a capa de O Mago, biografia de Paulo Coelho, escrita por Fernando Morais; de CD de Gilberto Gil e muitas mais. Um grande artista.

Michele Iacocca, italiano, parceiro de Vivina de Assis Viana há muitos anos, inclusive nesse livro, chegou bem mais tarde – acompanhado de sua bela esposa – por causa de outros compromissos, mas chegou. Deu até pra assinar uma meia-dúzia de livros. Gente fina, amigão, autor de traço consagrado e muito, muito premiado.

Poucos não puderam comparecer. Orlando (ilustrou Marilena Montanari) estava no Norte do país com sua exposição itinerante, de 30 anos de carreira. Lúcia Brandão (desenhou Sergio Antunes) mora no mato, perto de Avaré (SP), não teve tempo, disse que não perde a próxima festa de jeito algum. Maria Eugenia (Antonio Barreto), outra artista premiada internacionalmente, tinha compromisso agendado há meses. Custódio (Denise Ribeiro) foi para Campinas, de última hora, e depois para a casa da sogra, no Sul.

As damas de ouro e os valetes espada que fizeram o livro jogaram muito e se divertiram. Os convidados gostaram, não arredaram pé e só saíram de madrugada do aconchegante bar Canto Madalena.

Foi uma festa do baralho!

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