Reabertura

Neste fim de semana reabriram os clubes da cidade. As medidas adotadas estão “em estrito alinhamento com as diretrizes e orientações das autoridades e órgãos oficiais em saúde pública”, segundo a cartilha preparada pelo meu querido Esporte Clube Pinheiros.
Estava com saudades. Foram cento e vinte dias sem colocar os pés lá dentro, sem jogar o meu basquete, sem beber cerveja com os amigos, sem tomar sol na piscina, sem fazer sauna, sem correr na pista, sem fitness, sem nada. Trancado dentro de casa.
Quando entrei lá novamente, lembrei-me de um tempo – faz muitos anos – em que apareceram ratos no clube. Sim, ratos em todas as partes. Coisa séria. O que fazer? Nada mais natural do que colocar gatos para pegar os ratos. Só não contavam que gatos, além de ratos, preferem, antes de mais nada, as gatas. O clube ficou infestado por gatos, gatas e gatinhos ronronando pelas dependências, para alegria da criançada. E desespero dos demais associados. Era assunto recorrente na comunidade.
Nessa época, estava na Faria Lima de carro com o Gabriel, meu filho, então com seus sete anos de idade, bem ao lado do clube, onde tem uma cerca viva, ao invés de muro de concreto. Trânsito congestionado. Reparo que a vegetação está grudada em um alambrado com arames mais bem trançados e fechados do que de costume.
— Coisa mais esquisita esse muro, né, filho?
— É… (nem olhou).
— Olha isso!
— Hã? (sem o menor interesse).
— A cerca de plantas! Não dá nem pra enfiar a mão no vão. Olha só!
O pequeno ficou olhando para a cerca, o trânsito parado.
— …
— …
— Sabe o que é, pai?
— O quê?
— A cerca, ué!
— Sei lá, filho!
— É pra gato que não é sócio não entrar.

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