Relacionamento (meio)aberto

Relacionamento (meio)aberto
— Não dá mais, perdi a paciência com as suas constantes traições. Venho levando faz anos porque nos damos bem demais, mas tudo tem limite.
— Alguma vez te deixei insegura sobre meu amor por você? Deixei?
— Não! Mas até na Alê, minha amiga, você dá em cima com esse seu charme de galã de novela mexicana. Pra mim já deu, vou sair de casa!
— Para com isso! Não sei viver sem você! São 15 anos juntos, já pensou? Bodas de Cristal (vi outro dia no Google)! De Cristal! A gente era tão jovem, lembra? Jericoacoara. Jeri!
— Lógico que lembro! Lá você pintou e bordou com a dona da pousada, aquela loira aguada. Não gosto nem de pensar.
— Isso é imaginação sua desde sempre. Ela só era gentil com os hóspedes.
— Tínhamos um relacionamento perfeito, invejado pelos amigos, sim. Mas foram muitas traições. Não foi uma nem duas, perdi a conta! Vou-me embora.
— Nem pensar! Fica! Por favor! Vamos conversar.
— Vamos conversar… Mais? A mesma conversinha de sempre?
— Te amo mais que tudo nesta vida, você sabe disso. Olha bem nos meus olhos pra ver se eu tô mentindo. Olha! Admito que sinto atração pelas minhas amigas. Pronto, falei!
— Você SÓ tem Amigas! E eu?
— É que você não sente atração por outros homens, não me entende. Nunca vai me entender.
— Não sinto atração por outros homens… Se bem que o João… Mas nunca ficaria com ele se tenho um compromisso.
— E se a gente tivesse um relacionamento aberto?
— O quê?
— Como Sartre e Simone de Beauvoir! Já ouviu falar?
— Fui eu quem te contou a história deles, não se lembra?
— Lógico! História de amor bem bacana. Então?
— Você não se importaria de saber que dormi com outro?
— Claro que não. Tenho segurança no seu amor por mim!
Depois de uns meses…
— Onde você pensa que vai com esse cabelo preso? Sabe que adoro seu pescoço de fora.
— Vou sair com o João.
— O QUÊ???
— Você não propôs um relacionamento aberto?
— EU? Nunca! Jamais!
— Dá licença que eu tô atrasada.
— Vem aqui! Deixa pelo menos eu soltar esses seus cabelos.

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