Segurança

Pego o carrinho de compras na entrada do Pão de Açúcar (“lugar de gente feliz”), surge na minha frente o segurança, preto, de terno preto e camisa branca, alto, forte, cabeça raspada, barba feita. Aproxima-se com jeito de que vai medir minha temperatura: o senhor me permite? Mediu com aquele negocinho de medir parecido com revólver de filme de aventura espacial, que eu gostaria de ter um em casa para brincar com os meus netos, apontando para o meu pulso. Na hora. Quanto deu? Trinta e seis e dois, senhor, olha aqui, tá vendendo saúde. Digital, números enormes. Agradeci a informação.
Ia entrando para dentro do supermercado, ele olhou para o carrinho: deixa eu dar um trato aí pra espantar os males da humanidade. Opa, pois não! Pegou um paninho, encharcou de álcool misturado com não sei o quê, e passou demoradamente no lugar de colocar as mãos para empurrar o utilitário das compras. Prontinho, em nome de Jesus, glória ao céu! Agradeci: amém! Ele olhou bem para mim e mandou baixinho: putaquepariu, mermão, tá foda, vai lá, vai lá!

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